A dissolução do buscador: a trindade que nos mantém separados

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A dissolução do buscador: a trindade que nos mantém separados

Foto: Elliot zoz em Unsplash

A separação é um cansaço silencioso. Passamos a vida delimitando fronteiras: aqui estou eu, ali está o mundo; aqui está a minha busca, acolá está o que espero alcançar. No território da filosofia e da espiritualidade, essa divisão assume contornos quase intransponíveis. Construímos a identidade do "buscador" — aquele que estuda, que se esforça, que se sente imperfeito — e, diante dele, colocamos um ideal distante, seja uma divindade, a verdade absoluta ou a paz inabalável. No meio do caminho, posicionamos os livros, as práticas e os conceitos como pontes que tentamos atravessar sem nunca chegar ao outro lado. O erro fundamental reside na própria arquitetura dessa busca: pressupomos que o ponto de partida e o ponto de chegada possuem naturezas diferentes.

Essa fragmentação é desafiada por uma percepção que escapa à lógica da distância física ou temporal. No registro de suas experiências mais profundas, Sri Ramakrishna descreve um colapso dessa estrutura tripartida:

Viu os luminosos raios saindo dos Pés de Lótus de Krishna sob a forma de uma corda grossa que primeiro tocou o Bhagavata e em seguida, seu peito, unindo todos os três - Deus, a escritura e o devoto. [...] Cheguei a compreender que Bhagavan, Bhakta e Bhagavata - Deus, Devoto e Escritura - são na realidade um e o mesmo.

— Sri Ramakrishna, O Evangelho de Sri Ramakrishna - Introdução

À primeira vista, a imagem da corda luminosa pode parecer um fenômeno devocional restrito, mas ela carrega o núcleo da não-dualidade. O que se descreve é a dissolução da trindade que sustenta toda busca: o sujeito que conhece, o instrumento do conhecimento e o objeto conhecido.

Quando nos aproximamos de um ensinamento, nossa tendência automática é a de nos apropriarmos dele como um objeto de consumo intelectual. Lemos as escrituras, acumulamos definições sobre o Absoluto e nos orgulhamos de nossa erudição ou de nossa disciplina meditativa. Ao fazer isso, o sentido de individualidade isolada — o ahamkara — se fortalece sob o disfarce de um estudante sério. A escritura se torna uma barreira protetora, um mapa que usamos para evitar o terreno real. Olhamos para as palavras e esquecemos que a terra sob nossos pés é a mesma que o mapa tenta descrever.

A fadiga do buscador contemporâneo nasce desse descompasso. Há um esforço contínuo em "tornar-se" algo, em preencher a distância entre o estado atual de limitação e um estado futuro de realização. No entanto, se o indivíduo e a realidade última fossem de substâncias essencialmente distintas, nenhuma quantidade de esforço ou estudo poderia uni-los; uma lacuna infinita não pode ser preenchida por passos finitos. A revelação de Ramakrishna reside no fato de que o caminho, o caminhante e o destino não são três pontos separados, mas a mesma luz vista através de prismas diferentes.

A escritura não é um manual externo sobre uma realidade distante; ela é a própria realidade traduzida em som e significado para despertar a si mesma naquele que escuta. O devoto não é um estranho tentando obter a atenção de um Deus externo; ele é a própria consciência que, temporariamente identificada com os limites do corpo e da mente, busca a si mesma através do espelho do ensinamento.

Quando essa identidade tripla é percebida como uma única corrente, a ansiedade de "chegar lá" perde o sentido. Não há um eu isolado que se apropria do ensinamento para alcançar o divino. O que resta quando a pretensão de ser um sujeito separado é abandonada? Se a escritura, o divino e aquele que lê estas linhas compartilham da mesma substância única, quem está, afinal, buscando quem?